Todo dia ela faz tudo sempre igual. E, apesar da ordem das coisas não seguir um padrão, no fim do dia não há diferença. Senta estranho, fala pouco, pensa muito. Sente muito. Já viveu mais. Mais horas do dia, mais dias nas horas, mais dela no tempo. Me perguntou o que acho. Respondi que era reclusão. Como se tudo o que houvesse lá fora fosse tão dela que ela não merecia. Não sabia o que fazer. Olhei seus olhos tristes de longe e quis saber o que dizer, mas não sabia. Os pensamentos tomavam formas em forma de gritos, mas só ela ouvia. E só ela podia sair dali.
8.1.12
28.12.11
Volta
3.7.11
Calada
30.6.11
Tudo novo de novo
Ele segurou o violão com uma violência delicada. Preparou a voz como quem aguarda milésimos de segundo para proferir qualquer coisa que já havia repetido tantas vezes que nem contava mais. E eu ali, de pernas cruzadas, de frente para algo que desconheço, cantei junto. Vamos começar colocando um ponto final, pelo menos já é um sinal de que tudo na vida tem fim – ele começou. Refleti. Onde estão os pontos finais? Gosto de começos e finais bem resolvidos, de tratos firmados e encerrados com dignidade, sinceridade e firmeza. Entrei e saí tantas vezes daquela sala procurando por um mínimo sinal de que algo era garantido. Bem que mamãe ensinou a não confiar em quem não olha nos olhos. Desconfio, mesmo!, de quem não me olha quando fala comigo. “É coisa de gente covarde”, ela sempre me assegurou. E o fez para me manter segura nesse meio de mundo que escolhi percorrer por minha conta quando lhe soltei as mãos. Desconfio, também, que seja por isso que ela chora – tem medo do que pode ter esquecido de me dizer, do que posso ter esquecido de ouvir. Hoje comemorei porque estive certa todo esse tempo, bem aqui, dentro do meu coração. Talvez não. Quem sabe? Ele me chamou para comunicar algo que não lhe fazia qualquer diferença. Não procurei o calor do contato visual, pois já sabia que não viria. Foi sempre assim, rabiscos, traços, desenhos, riscos e plic-ploc de canetas enquanto dizia coisas importantes com ar de quem só fala porque alguém mandou. Nunca quis, nunca quer, nunca assina, nunca assume – sempre querem, assinam, assumem e mandam, principalmente.
Parti sem olhar para trás, com esperanças fundamentadas em ligações rejeitadas e emails não respondidos. Vamos acordar, hoje tem um sol diferente no céu, gargalhando no seu carrossel e gritando: Nada é tão simples assim! – continuou a cantoria. E, bem, não é. Eu, que sempre me adaptei tão bem às mudanças, estampei um sorriso e segui em frente, “pra tentar entender que acabou”. Mas nada acabou, na verdade. O que vem, agora, é um grande começo, coroado de opções, oportunidades, avaliações, dedicação, afinco e fé. Vamos mergulhar do alto onde caímos. Vamos mergulhar, mergulhar, mergulhar. Eu não sei nadar. Mas vou aprender.
Ps: A música, aqui.
